Como Sair de Dívidas Passo a Passo
Atualizado em 30 de Novembro de 2025 | Leitura: aproximadamente 20 minutos
Conta chegando, SMS de cobrança, ligação desconhecida no meio do dia, limite do cartão estourado, cheque especial negativo. De um dia para o outro, a cabeça não pensa em mais nada: “Como vou pagar isso tudo?”. Dívida não é só número, é peso emocional. Tira sono, estraga relacionamento, trava qualquer plano de futuro. Mas existe uma boa notícia: há um caminho para sair dela. Não é rápido, não é mágico, mas é totalmente possível com um plano simples e disciplina.
História real: “Cheguei a ter 4 cartões de crédito estourados, cheque especial no limite e empréstimo consignado. Somando tudo, passava de R$ 32 mil de dívida. Salário de R$ 3.800. Parecia impossível. Em 2019, sentei com papel e caneta, somei tudo, quase desmaiei. Mas montei um plano: cortei cartão, troquei de banco, negociei juros, parei de fazer novos gastos e usei método passo a passo. Em 3 anos, zerei tudo. Hoje, o mesmo dinheiro que ia para dívida vai para investimento. A sensação de liberdade não tem preço.”
Este guia mostra um passo a passo simples, direto, em português do dia a dia, para sair das dívidas no Brasil. Sem fórmula mágica, sem papo motivacional vazio. É: organizar, negociar, escolher estratégia, cortar o que precisa, aumentar o que dá e seguir o plano. Um dia de cada vez.
Antes de Tudo: Pare de Cavar o Buraco
Primeira regra para sair de dívidas: parar de criar mais dívidas.
Não adianta montar o melhor plano do mundo se, enquanto paga as dívidas antigas, continua criando novas. É como tentar esvaziar um balde com furo no fundo.
Três atitudes imediatas (ainda hoje)
- Cartão de crédito: guarde no fundo da gaveta, apague do app, tire de carteira. Se precisar, peça redução de limite.
- Cheque especial: vá no banco e peça para cancelar ou reduzir o limite. Cheque especial é uma armadilha cara.
- Novos crediários: nada de “só mais um carnê”, “só mais um celular parcelado”. Até organizar o que já existe, é não.
Isso não resolve o problema, mas trava o estrago. A partir daqui, começa o plano de saída.
Passo 1: Colocar Todas as Dívidas na Mesa (Sem Medo)
Muita gente sabe que está devendo, mas não sabe quanto exatamente. O primeiro passo é encarar os números. Dói, mas liberta.
Como listar suas dívidas
- Pegue extratos do banco, faturas de cartão, carnês, contratos de empréstimo.
- Procure seu CPF no Serasa / SPC (pode ser online) para ver o que está em atraso.
- Anote TUDO em um papel ou planilha: tipo, valor atual, juros, parcela mínima.
Modelo de tabela para organizar
| Dívida | Valor Total Atual | Juros ao mês (aprox.) | Parcela mínima | Está em atraso? |
|---|---|---|---|---|
| Cartão de crédito Banco X | R$ 4.500 | 12% a.m. | R$ 450 | Sim (2 meses) |
| Empréstimo pessoal Fintech Y | R$ 8.000 | 4% a.m. | R$ 480 | Não |
| Loja de móveis (carnê) | R$ 1.800 | 5% a.m. | R$ 200 | Sim (1 parcela) |
| Cheque especial Banco Z | R$ 1.200 | 13% a.m. | Mínimo automático | Sim |
Quando tudo está escrito, o monstro fica mais claro. É assustador, mas pela primeira vez você consegue enxergar o tamanho real do problema.
Passo 2: Calcular Quanto Você Pode Pagar por Mês
Não existe plano sem saber quanto dinheiro sobra por mês para atacar as dívidas.
Faça um mini-orçamento de guerra
- Anote sua renda líquida (o que cai na conta, depois de INSS, IR, descontos).
- Anote gastos essenciais: aluguel, luz, água, comida, transporte, remédio.
- Corte temporariamente tudo que for supérfluo (streaming, delivery, compras por impulso).
Exemplo rápido
Renda líquida: R$ 3.000
Essenciais:
- Aluguel: R$ 900
- Comida: R$ 600
- Contas (água, luz, internet, celular): R$ 350
- Transporte: R$ 250
- Saúde (remédios, consultas): R$ 150
Total essenciais: R$ 2.250
Sobra para dívidas + lazer: R$ 750
Plano de guerra: usar R$ 600 para dívidas e R$ 150 para lazer mínimo (para não enlouquecer).
Esse valor (R$ 600 no exemplo) é o seu “exército mensal” contra as dívidas. É com ele que você vai montar a estratégia.
Passo 3: Escolher Uma Estratégia (Bola de Neve ou Avalanche)
Existem duas formas clássicas de organizar o pagamento das dívidas. As duas funcionam. Você escolhe a que combina mais com seu jeito.
Estratégia 1 – Bola de Neve (emocional)
Você paga primeiro as menores dívidas, independentemente dos juros. A ideia é ter vitórias rápidas, ganhar motivação e ver o número de boletos cair.
- Paga o mínimo em todas as dívidas.
- Todo dinheiro extra vai para a menor dívida.
- Quando ela acaba, o valor que ia para ela vai para a próxima menor.
Estratégia 2 – Avalanche (matemática)
Você paga primeiro as dívidas com juros mais altos, mesmo que sejam as maiores. Assim, economiza mais dinheiro ao longo do tempo.
- Paga o mínimo em todas as dívidas.
- Todo dinheiro extra vai para a dívida com maior juros.
- Ao quitar, redireciona esse valor para a próxima de maior juros.
Qual escolher? Se você é muito movido por motivação e precisa “ver resultado rápido”, use a Bola de Neve (menores primeiro). Se lida bem com caminho mais longo, mas quer economizar mais juros, use a Avalanche (juros altos primeiro). Importante: escolha UMA e siga até o fim.
Passo 4: Negociar Juros e Condições (Antes de Pagar)
Não saia simplesmente pagando tudo como está. No Brasil, quase sempre existe espaço para negociar juros e descontos, principalmente se a dívida já está atrasada.
Onde e como negociar
1. Cartão de crédito e cheque especial
- Ligue para o banco e peça troca de dívida rotativa por empréstimo pessoal com juros menores.
- Peça proposta de parcelamento com juros menores do que o rotativo.
- Evite “parcelar a fatura em 12x” sem perguntar o CET (custo efetivo total).
2. Empréstimo pessoal / financiamentos
- Peça redução de taxa com argumento de portabilidade (levar a dívida para outro banco).
- Simule portabilidade em outros bancos digitais (eles costumam ter juros menores).
- Se já está em atraso, pergunte sobre campanhas de renegociação (Serasa Limpa Nome, feirões).
3. Lojas, carnês, cartões de loja
- Vá presencialmente e peça desconto para pagamento à vista.
- Se vai parcelar, negocie juros menores e peça contrato por escrito.
4. Quando usar PROCON / Justiça
- Se a cobrança é abusiva, valor muito acima do contratado, ligações de cobrança excessivas, vale procurar o PROCON.
- Em último caso, Juizado Especial Cível (pequenas causas) pode ser caminho, principalmente para juros abusivos e bancos que não negociam.
Passo 5: Montar Seu Plano de Pagamento Mensal
Agora junta tudo: quanto você deve, quanto pode pagar por mês, qual estratégia escolheu e se conseguiu reduzir juros. É aqui que vira plano concreto.
Exemplo completo: R$ 15.500 em dívidas
Dívidas depois da negociação:
| Dívida | Valor | Juros aprox. | Pagamento mínimo |
|---|---|---|---|
| Cartão Banco X | R$ 4.500 | 10% a.m. | R$ 450 |
| Cheque especial Banco Z | R$ 1.200 | 13% a.m. | R$ 150 |
| Empréstimo Fintech Y | R$ 8.000 | 3,5% a.m. | R$ 480 |
| Carnê loja de móveis | R$ 1.800 | 4% a.m. | R$ 200 |
Valor disponível para dívidas todo mês: R$ 600
Estratégia escolhida: Avalanche (juros mais altos primeiro)
Organização:
- Pagar o mínimo em: empréstimo (R$ 480) + carnê (R$ 200) = R$ 680 (opa, já passou)
Perceba: com R$ 600 nem o mínimo de todas cabe. Aqui entra a parte dura: é preciso renegociar prazo e reduzir parcelas, ou cortar mais gastos / aumentar renda.
Suponha que, depois de renegociar:
- Empréstimo: parcela cai de R$ 480 para R$ 350 (prazo maior, juros um pouco menores).
- Carnê: renegociado para R$ 150/mês.
Agora:
- Empréstimo: R$ 350
- Carnê: R$ 150
- Total fixo: R$ 500
- Sobra R$ 100 dos R$ 600 para atacar o pior juro (cheque especial ou cartão).
No primeiro mês, foco total em cheque especial. Paga o mínimo do cartão (para não virar bola de neve absurda) e coloca tudo que restar no cheque especial. Quitando o cheque especial, o valor que ia para ele passa a ir para o cartão, e assim sucessivamente.
Passo 6: Criar Renda Extra e Cortar o Supérfluo (Temporariamente)
Para sair mais rápido das dívidas, duas forças ajudam muito:
- Diminuir gasto (cortar supérfluo temporariamente).
- Aumentar renda (bicos, freelance, venda de coisas paradas).
Cortes práticos (sem virar monge)
- Reduzir delivery para 1x por mês (e cozinhar em casa).
- Cortar temporariamente algumas assinaturas (streaming, revistas, apps).
- Trocar plano de celular/internet por um mais barato.
- Negociar aluguel (sim, muita gente consegue desconto pedindo).
Fontes de renda extra no dia a dia
- Vender coisas que não usa (roupas, eletrônicos, móveis) em OLX, Enjoei, grupos de bairro.
- Freelance no que você sabe (aula de reforço, design, tradução, cuidados com pets, comida).
- Trabalhos temporários: fim de semana em restaurante, eventos, festas.
Cada R$ 200, R$ 300 a mais por mês fazem enorme diferença no tempo para sair do vermelho.
Passo 7: Acompanhar Todo Mês (e se Motivar)
Sair de dívidas é maratona, não corrida de 100 metros. Precisa de acompanhamento mensal.
Rotina mensal simples
- No fim de cada mês, anote quanto cada dívida diminuiu.
- Faça um “termômetro” da dívida total (ex.: começou em R$ 32.000, agora está em R$ 28.500, depois R$ 26.000…).
- Comemore cada dívida quitada (sem gastar mais por isso).
Exemplo de linha do tempo
Início: Dívidas totais = R$ 20.000
Mês 3: R$ 17.800
Mês 6: R$ 14.500 (primeiro cartão quitado)
Mês 9: R$ 10.200 (cheque especial zerado)
Mês 12: R$ 6.800
Mês 18: R$ 0 (dívidas quitadas)
Em um ano e meio, com disciplina, dá para virar jogo que parecia impossível.
Erros Comuns Que Atrapalham Quem Tenta Sair de Dívidas
Erro 1: Fingir que a dívida não existe
Ignorar ligações, não abrir e-mail, não olhar fatura. A dívida continua crescendo, mesmo que você não queira ver.
Erro 2: Pagar só a parcela mínima do cartão para sempre
A parcela mínima mantém a dívida viva e os juros comendo tudo. A sensação é de correr numa esteira: cansa, mas não sai do lugar.
Erro 3: Fazer novo empréstimo para pagar velho (sem reduzir juros)
Trocar dívida de 10% de juros por outra de 10% não adianta nada. Troca só vale se taxa cair e plano for claro.
Erro 4: Achar que “merece um presente” toda vez que paga uma parcela
Quitar um boleto e gastar esse dinheiro com algo novo, em vez de redirecionar para próxima dívida, atrasa todo plano.
Erro 5: Tentar resolver tudo em 1 mês
Quer cortar tudo, pagar tudo, viver de ar. Em 30 dias, não aguenta e desiste. Melhor ter um plano realista que dure 18 meses do que uma loucura que dura 2.
Dúvidas Frequentes Sobre Como Sair de Dívidas
Matematicamente, juros altos primeiro (Avalanche) é melhor. Mas muitas pessoas preferem matar as menores primeiro (Bola de Neve) para ganhar motivação. O importante é escolher uma estratégia e seguir até o fim.
Pode valer, se os juros do novo empréstimo forem bem menores que os do cartão e se você não usar mais o cartão enquanto paga o empréstimo. Senão, vira duas dívidas ao mesmo tempo.
Se a dívida está muito antiga e os juros subiram absurdo, às vezes os mutirões (Serasa Limpa Nome, feirões de bancos) dão descontos grandes. Mas não conte só com isso. Se tiver condição de pagar antes, melhor limpar logo o nome e parar juros.
Se a dívida tem juros altos (cartão, cheque especial, empréstimo caro), faz sentido usar FGTS para quitar, porque o FGTS rende pouco por ano. Mas se a dívida é barata (financiamento estudantil, por exemplo), talvez seja melhor pensar duas vezes. Caso de analisar com calma.
Nesse caso, vale: negociar prazos maiores, buscar ajuda no PROCON, defensoria pública, tentar acordo judicial e, principalmente, ajustar estilo de vida. Às vezes, mudar de casa, vender carro, dividir apartamento são mudanças difíceis, mas necessárias para recomeçar.
🔢 Ferramentas para Ajudar a Sair das Dívidas
📚 Ajuda com Bancos, Cobranças e Direitos
Comece Hoje o Seu Plano para Sair das Dívidas
Não precisa resolver tudo hoje. Mas hoje você pode dar o primeiro passo: listar todas as dívidas e descobrir quanto consegue pagar por mês. A partir daí, escolha uma estratégia (bola de neve ou avalanche), negocie juros, corte alguns gastos temporariamente e siga o plano. Em alguns meses você vai olhar para trás e perceber que aquele buraco gigante começou a diminuir. Dívida não é sentença para a vida toda. É uma fase. Com um plano claro, ela tem data para acabar.
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